Tarifaço é um termo informal usado para descrever um pacote amplo de tarifas (impostos de importação) aplicado de forma rápida, com impacto em vários países e setores, geralmente no contexto de guerra comercial.
E agora o assunto voltou com força após a Suprema Corte derrubar as tarifas “recíprocas” e os EUA colocarem em vigor uma tarifa global adicional de 10% (apesar de Trump ter dito que subiria para 15%).
Tarifaço: o que é
No uso mais comum na imprensa e no debate econômico, “tarifaço” é um termo informal para descrever um aumento amplo e rápido de tarifas de importação. Ou seja, uma elevação de impostos cobrados na entrada de produtos estrangeiros.
A diferença para um ajuste pontual é a escala: em vez de atingir um item específico (como um único produto agrícola), o “tarifaço” costuma envolver vários setores ao mesmo tempo e/ou muitos países, de uma só vez ou em poucas rodadas.
Em geral, a palavra aparece quando o objetivo não é apenas arrecadar, mas mudar o comportamento de outros países: pressionar negociações comerciais, forçar concessões, proteger segmentos da indústria local ou retaliar medidas externas.
O que está acontecendo agora com o “tarifaço”
Nos últimos dias, o “tarifaço” entrou numa fase de vai-e-vem jurídico e político. Em 20/02/2026, a Suprema Corte dos EUA derrubou as chamadas tarifas “recíprocas”, entendendo que a base usada para aplicar tarifas amplas dessa forma não se sustentava. A leitura imediata foi: “acabou”. Só que não.
Em menos de 24 horas, o governo Trump apresentou um Plano B: anunciou uma tarifa global que começou em 10% e foi elevada para 15% no dia 21/02/2026. Essa nova tarifa passa a valer a partir de 24/02/2026 e tem um detalhe que muda tudo: pode durar até 150 dias, a menos que o Congresso estenda.
O ponto principal é que a história não termina com os 150 dias. O governo dos EUA já sinalizou que pode recorrer a outros instrumentos legais para impor novas tarifas, o que mantém o tema aberto e com potencial de novos capítulos — inclusive com pressão externa (como a China pedindo o fim das tarifas unilaterais) e negociações em andamento.
O que está valendo agora nos EUA: tarifa global de 10% (com 15% no radar)
Na prática, o que entrou em vigor em 24/02/2026 foi uma sobretaxa adicional de 10% para importações “não cobertas por isenções”, segundo orientação oficial da autoridade alfandegária dos EUA (CBP).
Isso criou ruído porque, após a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas “recíprocas”, Trump anunciou primeiro uma taxa global temporária de 10% e, menos de 24 horas depois, disse que elevaria para 15%.
Assim, ficam os 10% em vigor, com uma janela de até 150 dias (salvo extensão pelo Congresso) e com o risco de novas mudanças, caso a Casa Branca decida acionar outros instrumentos legais para elevar tarifas adiante.
Tarifaço no Brasil: como isso nos impacta?
O Brasil está entre os países atingidos pela tarifa global de 10%. Caíram as tarifas “recíprocas” consideradas ilegais, incluindo sobretaxas que chegaram a adicionar 40% em vários produtos brasileiros. Mas, entra a tarifa global adicional de 10% para “demais produtos”.
Além disso, alguns itens continuam com tarifas específicas (por “segurança nacional”), como:
- Aço: 50%
- Alumínio: 50%
- Peças de cobre: 50%
- Madeira: 10%
Efeitos no mercado: por que uma tarifa mexe com bolsa, dólar e juros
O mercado geralmente não reage só ao número da tarifa, mas também ao conjunto de incertezas que vem junto. A primeira camada é direta: tarifa é custo na fronteira. Parte desse custo vira margem menor para empresas (especialmente importadoras e setores dependentes de insumos externos) e parte tende a virar preço ao consumidor. Assim, impacta em projeções de lucro, inflação e crescimento ao mesmo tempo.
A segunda camada é o efeito “dominó” na economia real, com as empresas:
- Reprecificando contratos
- Revisando cadeias de suprimento
- Adiando investimento
- Acelerando importações antes de prazos
Essa hesitação, por si só, já aumenta o prêmio de risco. Assim, a pergunta deixa de ser “quanto é a tarifa?” e vira “qual é a regra daqui a 3 meses?”.
A terceira camada é o efeito macro: tarifas podem elevar a inflação no curto prazo, mas também podem reduzir crescimento se derrubarem comércio e confiança. Esse mix cria ruído em juros: o mercado tenta antecipar se bancos centrais vão priorizar combater inflação (juros mais altos) ou sustentar atividade (juros mais baixos).
E, no meio disso, o câmbio entra como termômetro: em cenários de stress, o dólar tende a se comportar como ativo de proteção em algumas fases. Mas, pode oscilar bastante dependendo de como o mercado interpreta crescimento, política monetária e fluxo para os EUA.
Então, temos mais volatilidade, mais sensibilidade a manchetes, mais busca por “qualidade” e menos apetite por risco. até o cenário ficar minimamente previsível.
Por que o ouro ganha protagonismo nesse ambiente?
O ouro tende a ganhar força quando o mercado entra em modo proteção por três motivos simples:
- Ele costuma funcionar como hedge psicológico e de portfólio em momentos de incerteza (o famoso “porto seguro”);
- Ele reage ao comportamento do dólar: quando o dólar enfraquece, o ouro fica relativamente mais “barato” para compradores de outras moedas, o que pode aumentar demanda;
- Ele é muito sensível aos juros reais (juros descontada a inflação): quando o mercado passa a precificar juros reais menores ou mais instáveis, o custo de oportunidade de ficar em ouro diminui.
Com a tarifa global de 15% e uma janela de até 150 dias, o que manda agora é a incerteza: prazos, exceções e possíveis novos instrumentos legais. Para Brasil e mercados, o próximo capítulo depende das reações e das próximas decisões em Washington.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre o Tarifaço
É um termo informal para um aumento amplo e rápido de tarifas de importação, geralmente ligado a guerra comercial e pressão negociadora.
“Tarifaço” é o apelido (termo popular). “Tarifa global” é o mecanismo (uma tarifa aplicada de forma ampla a importações).
A tarifa em vigor entrou como 10%, conforme orientação da CBP em 24/02/2026. Trump disse que elevaria para 15%, e o Financial Times citou que esse aumento pode vir mais tarde, mas isso ainda depende de implementação formal.
Porque, nesse desenho, a tarifa pode expirar em até 150 dias se não houver extensão pelo Congresso.
Sim, o Brasil entra na tarifa global de 15%, com setores específicos mantendo alíquotas próprias (aço/alumínio, etc.).
Ouro tende a reagir quando sobe a incerteza; no episódio, houve alta com dólar mais fraco e mais risco percebido.







