Fundos multimercado são fundos de investimento que podem aplicar em várias classes de ativos ao mesmo tempo, como juros, câmbio, ações e crédito, sem a obrigação de concentrar a carteira em um único mercado.
A categoria viveu o pior ciclo de resgates da sua história recente e começa a virar a chave. Os fundos multimercados encerraram o primeiro semestre de 2026 com resgates líquidos de R$ 9,9 bilhões, segundo a Anbima. Parece ruim, e é, até você comparar com os R$ 65,2 bilhões que saíram no mesmo período de 2025.
Essa contração tem uma explicação direta, e ela não está no talento dos gestores. O Copom reduziu a taxa Selic para 14,00% ao ano na 280ª reunião, em agosto de 2026, patamar ainda elevado. Quando a aplicação sem risco paga tanto, o fundo que cobra taxa para superá-la precisa entregar bem mais do que costumava.
O movimento de saída perdeu força ao longo do último ano. No primeiro trimestre de 2026, a classe chegou a registrar captação líquida positiva de R$ 11,2 bilhões, primeira vez no período desde 2022, ainda que o número tenha sido puxado por um único fundo responsável por cerca de R$ 11 bilhões do total.
Nada disso responde à pergunta que interessa: o multimercado faz sentido para você. A resposta depende de entender o que a categoria realmente entrega, quanto ela custa em taxa e em imposto antecipado, e em que ponto essa conta deixa de fechar.
O que é um fundo multimercado?
O fundo multimercado é a categoria mais flexível da indústria de fundos brasileira. Enquanto um fundo de ações precisa manter a maior parte da carteira em ações e um fundo de renda fixa se prende a títulos de dívida, o multimercado pode transitar entre esses mundos conforme a leitura do gestor.
Segundo a B3, são fundos que investem em diversos mercados sem concentração em um único segmento ou setor. Na prática, um mesmo produto pode carregar títulos públicos, ações brasileiras, moeda estrangeira, crédito privado e posições em derivativos ao mesmo tempo.
Essa liberdade é a razão de existir da categoria e também a origem de quase todos os seus problemas. Você não está comprando uma classe de ativo, está comprando a capacidade de decisão de uma equipe de gestão, e o resultado depende inteiramente do acerto dessas decisões.
Como funciona um fundo multimercado?
O investidor compra cotas e passa a ser dono de uma fração da carteira. O gestor decide onde alocar dentro dos limites do regulamento, e o valor da cota sobe ou desce conforme o desempenho dessas posições, apurado diariamente.
O regulamento é o documento que importa. É nele que estão a política de investimento, os limites de alocação por classe, o uso permitido de derivativos, os prazos de resgate e as taxas cobradas. Dois fundos com o mesmo nome de categoria podem operar de formas radicalmente diferentes.
Um ponto que costuma surpreender é o prazo de resgate. Diferente de aplicações de liquidez diária, boa parte dos multimercados trabalha com prazos de conversão e liquidação que somam de poucos dias a mais de um mês entre o pedido e o dinheiro na conta.
Quais são os tipos de fundo multimercado?
A Anbima organiza a classe em categorias que ajudam a comparar produtos parecidos entre si. Sem esse recorte, comparar um fundo balanceado com um fundo macro alavancado é comparar coisas que não competem pelo mesmo espaço na carteira.
Alocação
Os fundos de alocação investem em outros fundos e buscam montar uma carteira diversificada de forma indireta. Dividem-se entre balanceados, que seguem um mix de classes definido previamente, e dinâmicos, que ajustam a composição conforme o cenário. São os produtos mais próximos de uma carteira pronta, servindo a quem quer delegar a distribuição entre classes sem acompanhar cada decisão, e costumam oscilar menos que os fundos de estratégia.
Estratégia
Formam o grupo mais amplo e reúnem as subcategorias que dão fama à classe: os macro, que operam com base em leitura de cenário econômico; os long and short, que combinam posições compradas e vendidas em ações; os de juros e moedas; os de trading; e os fundos livres, sem mix explícito de ativos.
Cada subcategoria tem um comportamento próprio: um fundo de juros e moedas reage ao ciclo de política monetária, enquanto um long and short neutro busca retorno independente da direção da bolsa. Tratar todos como uma coisa só é o erro mais comum de quem monta posição na categoria.
Investimento no exterior
Aplicam parcela relevante do patrimônio fora do Brasil e são a porta de entrada mais simples para exposição internacional dentro de um produto local, sem exigir conta no exterior nem operação de câmbio pelo investidor. Em troca, o cotista assume risco cambial: um fundo pode acertar a escolha dos ativos lá fora e ainda entregar resultado fraco em reais se o câmbio andar contra a posição no período.
O que olhar além da categoria
Saber a categoria é só metade da análise. Dois fatores decidem o resultado líquido e costumam passar despercebidos.
O primeiro é a tributação. Fundos multimercado seguem a tabela regressiva do IR, de 22,5% a 15% conforme o prazo, e sofrem come-cotas, a antecipação semestral de imposto cobrada em maio e novembro.
Esse come-cotas reduz o efeito dos juros compostos ao longo dos anos, porque o imposto antecipado deixa de render, uma desvantagem frente a produtos sem essa cobrança, como ações e previdência. Em horizontes longos, esse detalhe pesa mais do que parece.
O segundo é o custo e a consistência. A taxa de administração e, sobretudo, a taxa de performance (comum na classe, tipicamente 20% do que exceder o benchmark) corroem parte do retorno.
E a qualidade é assimétrica: poucos multimercados de varejo entregam retorno ajustado ao risco de forma consistente ao longo de vários ciclos. Por isso, na multimercado mais do que em outras classes, escolher o fundo certo importa tanto quanto escolher a categoria certa.
Qual é a diferença entre multimercado e fundo de renda fixa?
A diferença começa no que cada um pode comprar. O fundo de renda fixa precisa manter a maior parte da carteira em títulos de dívida e opera dentro de uma faixa estreita de risco. O multimercado não tem essa amarra e pode mudar de exposição conforme a leitura do gestor, transitando entre juros, câmbio, ações e mercados internacionais.
| Critério | Fundo de renda fixa | Fundo multimercado |
|---|---|---|
| No que investe | Predominantemente títulos de dívida (públicos e privados) | Várias classes ao mesmo tempo: juros, câmbio, ações, exterior |
| Liberdade do gestor | Restrita, dentro de uma faixa estreita de risco | Ampla, muda a exposição conforme o cenário |
| Oscilação | Baixa, tende a acompanhar o CDI com desvio pequeno | De moderada a alta, pode passar meses abaixo do referencial |
| Propósito | Preservar capital e dar previsibilidade | Buscar retorno acima do referencial assumindo risco |
| Tributação | Tabela regressiva (22,5% a 15%) e come-cotas | Tabela regressiva (22,5% a 15%) e come-cotas |
| Papel na carteira | Base e reserva de médio prazo | Camada de diversificação e busca de retorno |
Repare que a tributação é a mesma nos dois: ambos seguem a tabela regressiva e sofrem come-cotas. A diferença real não está no imposto, e sim na oscilação e no propósito. Um fundo de renda fixa referenciado acompanha o CDI com desvio pequeno; um multimercado pode ficar meses abaixo do referencial e recuperar depois, ou simplesmente não recuperar.
É por isso que os dois ocupam lugares distintos na carteira. A renda fixa cumpre a função de preservar capital e gerar previsibilidade, servindo de base; o multimercado existe para tentar entregar retorno acima do referencial, assumindo risco calculado, como uma camada de diversificação.
É uma tentativa de ficar com o melhor dos dois lados, e ela nem sempre dá certo, o que reforça que o multimercado complementa a renda fixa, não a substitui.
Como funciona a tributação do fundo multimercado?
A tributação é o ponto em que o multimercado perde vantagem frente a aplicações diretas, e poucos materiais explicam isso com o detalhe necessário. São duas camadas: uma antecipação semestral e um acerto no resgate.
O come-cotas em maio e novembro
O come-cotas é a antecipação de Imposto de Renda que incide sobre o rendimento do fundo duas vezes por ano, no último dia útil de maio e no último dia útil de novembro. A cobrança é automática e acontece pela redução do número de cotas do investidor.
A alíquota depende da classificação do fundo. Fundos de longo prazo, com carteira de prazo médio superior a um ano, recolhem 15%. Fundos de curto prazo recolhem 20%. Quando o período fecha no negativo, não há cobrança.
O efeito prático é a interrupção periódica dos juros compostos. Parte do rendimento sai da carteira antes do resgate e deixa de render, o que não acontece com um título público comprado diretamente, em que o imposto só é cobrado na venda ou no vencimento.
A tabela regressiva no resgate
No momento do resgate, entra a tabela regressiva de Imposto de Renda. Segundo a Receita Federal, a alíquota é:
- de 22,5% para prazos de até 180 dias;
- 20% de 181 a 360;
- 17,5% de 361 a 720;
- 15% acima de 720 dias.
Como o come-cotas já reteve 15% ou 20% pelo caminho, o que se cobra no resgate é a diferença entre o que já foi pago e a alíquota devida pelo prazo total. Resgates feitos nos primeiros trinta dias sofrem ainda a cobrança de IOF, que zera a partir do trigésimo dia.
Vale notar que a Lei 14.754, de 12 de dezembro de 2023, estendeu o come-cotas aos fundos fechados a partir de 2024, com tributação periódica à alíquota de 15%.
Quem quiser acompanhar o histórico recente pode conferir o que mudou na tributação de fundos depois da rejeição da MP 1.303.
Quais taxas o fundo multimercado cobra?
A taxa de administração é cobrada sobre o patrimônio, todos os dias, independentemente do resultado. Em multimercados de gestão ativa, ela costuma ficar em patamar bem acima do que se paga em fundos indexados, porque remunera a estrutura de análise e a mesa de operações.
Existe também a cobrança sobre o resultado que exceder o referencial contratado, normalmente o CDI ou um índice de mercado. Ela só incide quando o fundo supera essa marca, e a maioria dos regulamentos usa linha d’água, o que significa que o fundo precisa recuperar perdas anteriores antes de voltar a cobrar.
O ponto que decide a conta é a soma. Com o juro básico em 14,00% ao ano, um fundo que cobra 2% de administração precisa entregar bruto bem acima disso apenas para empatar com uma aplicação conservadora, antes mesmo de descontar o come-cotas.
Por que os multimercados sofreram tantos resgates?
A resposta é aritmética, não emocional. Ciclos de juro alto encolhem o espaço em que a gestão ativa consegue justificar o próprio custo, porque a alternativa sem risco fica boa demais.
Os números mostram a dimensão do movimento. No primeiro semestre de 2025, os fundos multimercado lideraram os resgates da indústria, com retiradas líquidas de R$ 78,9 bilhões, segundo a ANBIMA. Foi a categoria que mais perdeu recursos no período, à frente até dos fundos de ações, que tiveram saídas de R$ 43,6 bilhões.
Houve um componente de desempenho por trás disso. Boa parte dos fundos macro apostou em cenários de queda de juros que demoraram a se confirmar, e a sequência de resultados abaixo do referencial acelerou a saída de cotistas que já estavam desconfortáveis com a comparação.
E houve a migração para onde o risco pagava melhor. Enquanto os multimercados perdiam recursos, os fundos de renda fixa captaram R$ 59,4 bilhões no mesmo semestre, puxados pelos produtos de títulos públicos de curto prazo e de crédito privado.
Com o CDI elevado, esses produtos passaram a oferecer retorno atrativo com risco menor e sem a complexidade de avaliar a estratégia de um gestor, o que drenou parte do dinheiro que antes ia para a gestão ativa.
O que mudou no mercado em 2026?
O quadro melhorou, sem virar completamente. Os resgates líquidos dos multimercados caíram de R$ 78,9 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 9,9 bilhões no mesmo período de 2026, uma redução de cerca de 87%, segundo a ANBIMA. A sangria diminuiu muito, mas a classe ainda não voltou a captar.
A melhora, porém, pede leitura cuidadosa. O primeiro trimestre de 2026 chegou a fechar positivo, a primeira captação líquida trimestral desde 2022, mas a própria ANBIMA registra que o resultado foi puxado majoritariamente por um único fundo, responsável por cerca de R$ 11 bilhões. Tirado esse fundo, o quadro da classe seguiria negativo, o que recomenda não confundir alívio com virada.
Dentro dos multimercados, a pressão continua concentrada nos fundos livres, os de mandato mais amplo, que lideraram as retiradas com R$ 9,6 bilhões de resgate no semestre.
Já os multimercados de juros e moedas foram o destaque de rentabilidade, com retorno de 6,4%, que ficou abaixo do CDI (6,8%), mas superou com folga o IHFA, o índice de hedge funds da ANBIMA, que subiu apenas 3,3%. O contraste mostra que o problema não é a classe inteira, e sim a dificuldade da gestão ativa de bater o juro alto de forma consistente.
O pano de fundo explica para onde foi o dinheiro. A indústria de fundos encerrou o primeiro semestre de 2026 com captação líquida de R$ 184,7 bilhões, mais que o dobro dos R$ 84 bilhões do ano anterior. Mas esse fluxo não se espalhou por igual.
A maior parte foi para onde o risco era menor. A renda fixa captou R$ 108,4 bilhões e os ETFs, R$ 32,5 bilhões, puxados pelos de renda fixa. Enquanto o CDI paga perto de 6,8% ao semestre com baixo risco, o multimercado precisa entregar bem mais que isso para justificar taxa e volatilidade, e o investidor tem preferido a previsibilidade.
Foi um movimento amplo de aversão ao risco, não uma rejeição isolada à classe. Os fundos de ações também seguiram no vermelho, com R$ 6,5 bilhões de resgate no semestre.
Quais são as vantagens do fundo multimercado?
- delegação. Você contrata uma equipe que acompanha o mercado em tempo integral e pode mudar de exposição em janelas que o investidor pessoa física dificilmente capturaria sozinho.
- Acesso. Alguns mercados e instrumentos são inviáveis para quem investe individualmente, por valor mínimo ou complexidade operacional. Dentro de um fundo, esse acesso vem embutido, com papel parecido ao que os ETFs cumprem para índices específicos.
- Descorrelação. Um multimercado bem construído tende a se comportar de forma diferente da bolsa e da renda fixa em certos cenários, o que pode reduzir a oscilação total da carteira mesmo quando a posição isolada oscila mais.
- Comodidade tributária relativa. A movimentação interna do fundo não gera imposto a cada operação, ao contrário de quem compra e vende ativos diretamente. A vantagem é parcial, porém, porque o multimercado sofre come-cotas, a antecipação semestral de IR que produtos como ações e previdência não têm.
Quais são os riscos do fundo multimercado?
- Risco de gestão. Diferente de um produto indexado, o resultado depende de decisões humanas, e a dispersão entre o melhor e o pior fundo da mesma subcategoria costuma ser larga em qualquer janela que se olhe.
- Risco de alavancagem. Muitos multimercados usam derivativos para ampliar posições. Em situações extremas previstas no regulamento, essa estrutura pode gerar perdas superiores ao capital aplicado, com necessidade de aporte adicional, algo raro no varejo, mas possível.
- Risco de liquidez. Prazos de resgate longos significam que você sai quando o regulamento permite, não quando quer, o que é justamente o pior cenário quando um fundo entra em deterioração e todos tentam sair ao mesmo tempo.
- Risco de custo. Um fundo que cobra taxa alta e entrega resultado próximo do referencial destrói valor de forma silenciosa, ano após ano, sem nenhum evento dramático que chame a atenção do cotista.
Como avaliar um fundo multimercado antes de investir?
Avaliar um multimercado é um processo de cinco passos, que vai do documento à adequação ao seu horizonte. Rentabilidade recente é o último critério, não o primeiro.
- Leia o regulamento e a lâmina. Ali estão a estratégia declarada, os limites de risco, o uso de derivativos, os prazos de resgate e as taxas. Nenhuma tabela de rentabilidade substitui essa leitura.
- Compare dentro da mesma subcategoria. Avaliar um fundo macro contra um balanceado não diz nada útil, porque assumem níveis de risco incompatíveis. A comparação relevante é contra pares com mandato equivalente.
- Olhe a janela longa, não o retorno recente. Fundos no topo de rankings de seis meses costumam carregar uma aposta concentrada que deu certo, e o mesmo mecanismo produz o resultado inverso quando o cenário vira. A disciplina de investir a longo prazo também vale para avaliar o gestor.
- Examine o histórico de perdas. Quanto o fundo já caiu em relação ao topo anterior e quanto tempo levou para recuperar, dizem mais sobre o risco real do que qualquer medida de oscilação média.
- Confirme o prazo de resgate. Ele precisa caber no seu horizonte, não no do gestor. Para quem avalia veículos estruturados, a lógica é próxima à de analisar um FIDC, em que a leitura da carteira importa mais que o rendimento anunciado no material de divulgação.
Quando o fundo multimercado não faz sentido?
Assumir os limites da categoria vale mais que enumerar vantagens, e há situações em que a resposta é claramente não. Quatro cenários aparecem com frequência, e reconhecer-se em qualquer um deles resolve a dúvida antes mesmo de comparar fundos específicos.
O multimercado não serve como reserva de emergência. Prazos de resgate longos e oscilação diária são incompatíveis com dinheiro que precisa estar disponível a qualquer momento, e forçar essa função costuma terminar em resgate no pior momento possível.
Também não faz sentido para horizontes curtos. A tabela regressiva castiga saídas antes de dois anos, o come-cotas já retirou parte do rendimento pelo caminho, e a estratégia do gestor raramente amadurece em poucos meses.
Da mesma forma, não faz sentido quando a taxa cobrada não é compatível com o mandato. Um fundo que cobra taxa de gestão ativa para entregar algo próximo do CDI está vendendo um serviço que você consegue mais barato em outro lugar, e essa comparação entre renda fixa e renda variável precisa ser feita de forma explícita.
Por último, é inadequado para quem não pretende acompanhar. Multimercado exige leitura periódica de carta de gestão e de relatório, porque a estratégia muda, a equipe muda e o produto que você comprou pode não ser o mesmo dois anos depois.
Como encaixar o multimercado na sua carteira?
O enquadramento razoável é o de posição satélite. O multimercado agrega ao redor de um núcleo formado por aplicações mais previsíveis, e não substitui esse núcleo, por melhor que tenha sido o desempenho recente do fundo.
O dimensionamento deveria seguir a sua tolerância a ficar meses abaixo do referencial sem mexer na posição. Se uma sequência de seis meses ruins levaria você a resgatar, a posição está grande demais, e o problema não é o fundo, é o tamanho dele dentro da sua carteira de investimentos.
A diversificação dentro da própria classe também conta. Concentrar tudo em um único gestor transforma uma decisão de alocação em uma aposta em uma equipe específica, e manter dois ou três mandatos diferentes costuma render mais do que trocar de fundo atrás do melhor desempenho recente.
Essa leitura de dimensionamento é o trabalho de uma assessoria de investimentos, e é onde a forma como a Ável trabalha faz diferença. Por três razões concretas.
- A primeira é a isenção na recomendação. A orientação parte do risco que a sua carteira já carrega, não do produto que se quer vender, o que importa numa classe em que a tentação de empurrar o fundo da moda é grande.
- A segunda é a visão do conjunto. Antes de sugerir quanto alocar em gestão ativa, a Ável enxerga o núcleo que você já tem, para que o multimercado entre no tamanho de satélite, e não no lugar do que deveria ser base.
- A terceira é o acompanhamento contínuo, que revisa a posição quando o ciclo de juros muda, exatamente o fator que fez a conta dos multimercados apertar nos últimos anos. A decisão e a execução permanecem com você, na sua conta na XP.
Esse trabalho se apoia na estrutura do Grupo Ável, com mais de R$ 16 bilhões sob custódia e o título de melhor assessoria da rede XP em 2024.
É isso que oferecer inteligência para cada etapa da sua vida financeira significa, no caso dos multimercados: dizer com clareza que a categoria passou por um ciclo duro e que a conta ficou mais exigente com juro alto, sem fingir que isso a elimina da carteira, e ajudar a definir o tamanho certo que ela deve ocupar hoje.
Fale com um especialista da Ável para dimensionar a parcela de gestão ativa que faz sentido no seu momento.
Perguntas frequentes sobre fundos multimercado
As dúvidas reunidas abaixo concentram o que mais aparece nas buscas sobre a categoria. As respostas consideram as regras tributárias e os dados de mercado disponíveis na data de publicação, que mudam conforme novas normas e divulgações estatísticas.
O fundo multimercado tem come-cotas?
Sim. Os multimercados abertos estão sujeitos ao come-cotas, com antecipação de Imposto de Renda no último dia útil de maio e no último dia útil de novembro. A alíquota é de 15% em fundos de longo prazo e de 20% em fundos de curto prazo, e não há cobrança quando o período fecha negativo.
Qual é a tributação do fundo multimercado no resgate?
Vale a tabela regressiva de Imposto de Renda: 22,5% para prazos de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Como o come-cotas já antecipou parte do imposto, no resgate se recolhe apenas a diferença.
Fundo multimercado é renda fixa ou renda variável?
Nenhum dos dois exclusivamente. O multimercado é uma categoria própria que pode combinar as duas naturezas na mesma carteira, aplicando em títulos de dívida, ações, moedas e derivativos conforme a política definida no regulamento do fundo.
Fundo multimercado pode dar prejuízo?
Pode. A cota oscila diariamente e o investidor pode resgatar menos do que aplicou. Em fundos que usam derivativos para alavancagem, o regulamento pode até prever perdas superiores ao capital investido, com necessidade de aporte adicional.
Fundo multimercado tem garantia do FGC?
Não. Fundos de investimento não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos. O risco é o da carteira do fundo, e nenhuma instituição garante o valor aplicado ou o retorno.
Qual é o prazo de resgate de um fundo multimercado?
Varia conforme o regulamento de cada fundo e costuma somar prazos de conversão e de liquidação, que juntos vão de poucos dias a mais de um mês. Verificar esse prazo antes de aplicar é essencial, porque ele define quando o dinheiro fica realmente disponível.
Por que os fundos multimercado tiveram tantos resgates?
O principal motivo foi o patamar elevado dos juros, que tornou a alternativa conservadora atrativa e encolheu o espaço para a gestão ativa justificar seu custo. Somaram-se a isso resultados abaixo do referencial em parte dos fundos macro e a migração para produtos isentos.
Vale a pena investir em fundo multimercado com a Selic alta?
Depende do fundo e do tamanho da posição. Com o juro básico em 14,00% ao ano, o fundo precisa entregar retorno bruto bem acima disso para compensar taxa e come-cotas. A avaliação passa por comparar o custo total com a expectativa realista de retorno do mandato específico.
Este conteúdo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Toda decisão depende do seu perfil, dos seus objetivos e do seu momento de vida, e deve ser avaliada com um profissional credenciado por meio de análise de suitability. Rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resultados futuros. Fundos que utilizam derivativos podem apresentar perdas superiores ao capital investido, com obrigação de aportes adicionais pelo cotista.
Referências
- Anbima. Fundos registram captação líquida de R$ 184,7 bilhões no 1º semestre de 2026. Disponível em: https://www.anbima.com.br/pt_br/noticias/fundos-registram-captacao-liquida-de-r-184-7-bilhoes-no-1-semestre-de-2026.htm
- Anbima. Captação líquida dos fundos no 1º tri de 2026 é a maior para o período nos últimos cinco anos. Disponível em: https://www.anbima.com.br/pt_br/imprensa/captacao-liquida-dos-fundos-no-1-tri-de-2026-e-a-maior-para-o-periodo-nos-ultimos-cinco-anos.htm
- Anbima. Classificação de fundos. Disponível em: https://www.anbima.com.br/pt_br/especial/classificacao-de-fundos.htm
- B3. Fundo de Investimento Multimercado (FIM-RV). Disponível em: https://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/fundo-de-investimento-multimercado-fim-rv.htm
- B3. Come-cotas: entenda esse imposto e veja quais investimentos são isentos. Disponível em: https://borainvestir.b3.com.br/noticias/imposto-de-renda/come-cotas-e-cobrado-hoje-entenda-esse-imposto-e-como-ele-afeta-seus-investimentos/
- Planalto. Lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14754.htm
- Receita Federal. Tributação de 2026. Disponível em: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-renda/tabelas/2026
- Receita Federal. Receita Federal regulamenta a Lei nº 14.754/2023. Disponível em: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2023/dezembro/receita-federal-regulamenta-lei-ndeg14-754-2023-que-alterou-as-regras-de-tributacao-dos-fundos-fechados-no-brasil
- Banco Central do Brasil. Comunicados do Copom. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/comunicadoscopom







