Fiagro: o que é, como funciona e quando faz sentido investir no agronegócio

Fiagro: o que é, como funciona, a tributação e riscos | Ável

Fiagro é o fundo de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais, criado pela Lei 14.130/2021 para permitir que investidores apliquem em imóveis rurais, crédito agrícola e empresas do agronegócio por meio de cotas negociadas em bolsa.

O agronegócio responde por cerca de um quarto da economia brasileira, mas quase nada disso chega ao investidor comum. Considerando a cadeia completa, de insumos à indústria de alimentos, o setor representa aproximadamente 25% do PIB, segundo o Cepea em parceria com a CNA. E a produção no campo segue em expansão: a agropecuária cresceu 2,0% no primeiro trimestre de 2026, o melhor desempenho entre os grandes setores da economia e bem acima da média do PIB brasileiro no período, de acordo com o IBGE.

Historicamente, participar dessa expansão exigia comprar terra, financiar safra ou abrir uma empresa no setor. O Fiagro nasceu para encurtar essa distância e transformou ativos do agronegócio em cotas negociadas na B3, acessíveis com o mesmo clique que compra uma ação e com aporte de poucas centenas de reais.

O mercado respondeu rápido. O patrimônio líquido dos Fiagros dobrou em doze meses e chegou a R$ 40,9 bilhões em outubro de 2025, distribuídos em 117 classes de investimento e 853 mil contas, segundo a ANBIMA. Poucos produtos financeiros brasileiros cresceram nessa velocidade.

Mas crescimento acelerado não significa ausência de risco, e é aí que o investidor precisa olhar com cuidado. O setor opera hoje sob juros altos, endividamento rural elevado e um cenário externo de incertezas, o que afeta a saúde das empresas e dos produtores por trás dos fundos.

E há uma camada que a maioria dos conteúdos sobre o tema não explica com clareza: a tributária. As regras mudaram duas vezes em três anos, e a isenção de Imposto de Renda que atrai o investidor pessoa física passou a depender, desde 2024, de uma condição específica que nem todo Fiagro listado cumpre.

O que é o Fiagro?

O Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) é um fundo que reúne o dinheiro de vários investidores para aplicar em ativos ligados ao agronegócio. Ao comprar cotas, você passa a ser dono de uma fração dessa carteira e recebe os rendimentos que ela gera, no mesmo modelo dos fundos imobiliários, mas com o foco voltado ao campo. Foi criado pela Lei 14.130, de março de 2021.

Na prática, esse dinheiro pode ir para diferentes frentes do agro, como terras e imóveis rurais que geram renda de arrendamento, títulos de crédito do agronegócio e participação em empresas do setor.

A estrutura foi desenhada para resolver um problema real. O agronegócio é intensivo em capital e depende de crédito sazonal, para plantar, colher e escoar a safra, mas boa parte da poupança do país estava concentrada em títulos públicos e imóveis urbanos, longe do campo.

O Fiagro conecta os dois lados: leva o dinheiro do investidor urbano até quem produz e devolve a esse investidor parte da renda gerada por essa atividade.

Em que ativos o Fiagro pode investir?

O Fiagro pode aplicar em cinco categorias de ativos: imóveis rurais, participação em empresas da cadeia agroindustrial, ativos financeiros e títulos emitidos por quem integra essa cadeia, direitos creditórios do agronegócio e os títulos de securitização lastreados neles, e direitos creditórios imobiliários ligados a imóveis rurais.

Essa lista, definida em lei, é mais ampla do que a de qualquer outro veículo listado no Brasil, e é o que permite a um mesmo produto guardar desde uma fazenda arrendada até um CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio).

Justamente por ser tão diversa, entender o que cabe dentro de cada fundo é o primeiro passo para avaliar o risco: um Fiagro concentrado em terras se comporta de forma muito diferente de um focado em crédito.

Quais são os três tipos de Fiagro?

A B3 classifica os fundos em três categorias, e a diferença entre elas não é cosmética. Cada tipo tem carteira, risco e público distintos, e boa parte dos erros de alocação começa por tratar todos como se fossem a mesma coisa.

Fiagro-FII

O Fiagro-FII segue a estrutura dos fundos imobiliários e é o formato mais acessível ao investidor pessoa física. A carteira concentra imóveis rurais, arrendamentos e direitos creditórios imobiliários ligados ao campo, com cotas negociadas em bolsa durante o pregão.

Era a maior categoria em outubro de 2025, com 44% do patrimônio total do segmento, equivalentes a R$ 18 bilhões, conforme dados da Anbima. É também o formato em que a distribuição periódica de rendimentos aparece de forma mais previsível.

Fiagro-FIDC

O Fiagro-FIDC investe em direitos creditórios, ou seja, em dívidas que o produtor rural e a agroindústria contraem para financiar safra, insumos e capital de giro. O retorno vem do pagamento dessas obrigações, o que aproxima o produto do comportamento de crédito privado.

Representava 14,2% do patrimônio do segmento, com R$ 5,8 bilhões, mas foi a categoria que mais cresceu, com avanço de 93,3% em doze meses. Boa parte desses fundos é restrita a investidores qualificados, o que limita o acesso do varejo.

Fiagro-FIP

O Fiagro-FIP compra participação societária em empresas da cadeia agroindustrial e opera com lógica de capital de risco, com horizonte longo e liquidez reduzida. O retorno depende da valorização das empresas investidas, não de fluxo mensal.

Somava 41,8% do patrimônio do segmento em outubro de 2025, com R$ 17,1 bilhões, segundo a Anbima. É o formato menos indicado para quem busca renda recorrente e o mais adequado a quem aceita prazo longo em troca de potencial de valorização.

Como o Fiagro funciona na prática?

O funcionamento é próximo ao de um fundo imobiliário. Um gestor profissional monta e administra a carteira, cobra taxa de administração e, em alguns casos, uma taxa adicional sobre o resultado que exceder o referencial contratado, e distribui aos cotistas o que foi apurado no período.

As cotas são negociadas na B3 pelo mesmo sistema usado para ações, com preço formado por oferta e demanda ao longo do pregão. Isso significa que a cota pode negociar acima ou abaixo do valor patrimonial do fundo, dependendo do humor do mercado.

A distribuição de resultados é o que atrai a maior parte dos investidores pessoa física. Nos Fiagros-FII e nos que operam com crédito, o fluxo tende a ser periódico e alimentado por aluguéis rurais, juros de recebíveis e amortizações.

O que mudou com a regulamentação da CVM?

Durante os primeiros anos, o Fiagro operou sob regime provisório, tomando emprestadas as regras de FII, FIDC e FIP. A CVM encerrou essa provisoriedade com a Resolução 214, de 30 de setembro de 2024, que criou o Anexo VI da Resolução CVM 175 e passou a tratar o Fiagro como categoria própria.

A norma entrou em vigor em 3 de março de 2025, e os fundos já em funcionamento tiveram até 30 de setembro de 2025 para se adaptar. Quem analisa um Fiagro hoje está diante de um produto com moldura regulatória definitiva, não mais de um arranjo transitório.

Entre as novidades, a regulamentação autorizou os Fiagros a participar do mercado de carbono e a adquirir CBIOs (Créditos de Descarbonização), com exigências adicionais de governança para proteger o cotista. Naturalmente, essa abertura amplia o leque de estratégias e também o de riscos a avaliar.

Como funciona a tributação do Fiagro?

Funciona em duas partes: os rendimentos distribuídos ao investidor pessoa física são isentos de Imposto de Renda, desde que o fundo cumpra certas condições, e o ganho obtido na venda das cotas é tributado em 20%.

É uma distinção que muda a conta e que boa parte do conteúdo disponível sobre o tema ainda trata de forma desatualizada, o que faz o investidor perder dinheiro por desinformação.

A regra geral da Lei 14.130/2021 prevê Imposto de Renda de 20% na fonte sobre rendimentos e ganhos distribuídos pelo Fiagro. Sobre essa base, existe uma isenção para a pessoa física, herdada do modelo dos fundos imobiliários, que sustenta boa parte do apelo comercial do produto e que passou a ter condições mais rígidas nos últimos anos.

A regra dos 100 cotistas

A Lei 14.754, de 12 de dezembro de 2023, alterou o artigo 3º da Lei 11.033/2004 e elevou o número mínimo de cotistas exigido para a isenção. Com efeitos desde 1.º de janeiro de 2024, os rendimentos distribuídos só ficam isentos de Imposto de Renda para pessoa física quando o fundo tem no mínimo 100 cotistas.

A mesma lei fechou outra porta. A isenção não alcança o cotista pessoa física que detenha 10% ou mais do total de cotas emitidas, nem aquele cujas cotas lhe deem direito a mais de 10% dos rendimentos auferidos pelo fundo.

Consequentemente, a isenção deixou de ser um atributo automático da classe e passou a ser uma característica de cada fundo específico. Verificar o número de cotistas antes de comprar é tão importante quanto olhar o rendimento distribuído.

O que continua sendo tributado?

A isenção alcança apenas os rendimentos distribuídos periodicamente. O ganho obtido na venda das cotas continua tributado à alíquota de 20%, independentemente do número de cotistas do fundo ou do valor da operação.

Essa distinção costuma passar despercebida. Um investidor que compra a cota a R$ 90 e vende a R$ 100 recolhe imposto sobre os R$ 10 de diferença, mesmo tendo recebido todos os rendimentos do período livres de tributação.

Quanto o agronegócio pesa na economia brasileira?

O tamanho do setor é o argumento estrutural a favor do produto, e ele é verificável. O PIB do agronegócio cresceu 12,20% em 2025 e alcançou R$ 3,20 trilhões, com participação de 25,13% no PIB brasileiro, contra 22,9% no ano anterior, conforme o levantamento do Cepea com a CNA.

A composição ajuda a entender de onde vem o retorno. Aproximadamente R$ 2,06 trilhões vêm do ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão do pecuário, a preços do quarto trimestre. São cadeias com dinâmicas de preço, safra e crédito bastante diferentes entre si.

O ritmo, porém, não é linear. A agropecuária cresceu 2,0% no primeiro trimestre de 2026, segundo a CNA, um avanço bem mais modesto que o do ano anterior. Quem entra no setor precisa aceitar essa oscilação como parte do jogo, e não como acidente.

Qual é o tamanho do mercado de Fiagro hoje?

O mercado de Fiagro ainda é pequeno diante do peso econômico do setor que representa, e essa distância costuma ser lida de duas formas opostas. Para quem enxerga espaço de crescimento, o descompasso entre o tamanho do agro e o tamanho dos fundos é a oportunidade. Para quem enxerga imaturidade, é sinal de um mercado que ainda não passou por um teste severo.

Os números recentes mostram um segmento em expansão. Em abril de 2026, a B3 contabilizou cerca de 600 mil investidores em Fiagros, ante 545 mil um ano antes, e o patrimônio dos fundos listados alcançou aproximadamente R$ 11,5 bilhões, em trajetória de alta nos últimos meses.

Parte desse avanço vem da migração de investidores de renda fixa para instrumentos listados que pagam renda recorrente, e da demanda por crédito estruturado no campo em um cenário de crédito rural bancário mais restrito.

A liquidez, historicamente o calcanhar de Aquiles da classe, também melhorou. O volume médio negociado por dia no segmento chegou a R$ 22,3 milhões em 2026, e o volume financeiro acumulado no ano superou R$ 1,96 bilhão.

Uma profundidade maior de mercado reduz o spread entre compra e venda e facilita a formação de preço, o que torna mais fácil entrar e sair das cotas sem sacrificar valor.

Ainda assim, a negociação se concentra em poucos fundos, os maiores do segmento, então a liquidez confortável de um Fiagro líder não se repete em toda a classe, e isso é algo a verificar fundo a fundo antes de investir.

Para dimensionar, esses R$ 11,5 bilhões são uma fração mínima da indústria de fundos brasileira, que soma cerca de R$ 11 trilhões. É essa proporção, um segmento ainda diminuto ligado a um setor que vale um quarto do PIB, que sustenta a leitura de espaço para crescer, ao mesmo tempo em que lembra que se trata de um mercado jovem.

Quais são as vantagens do Fiagro?

A principal vantagem é o acesso. Sem o fundo, expor patrimônio ao agronegócio exigiria comprar terra, financiar produtor ou tornar-se sócio de uma agroindústria, três caminhos fechados para quem investe valores moderados. Poucos produtos abrem uma porta setorial tão específica ao investidor de varejo.

A segunda é a diversificação. O agronegócio tem ciclo próprio, ligado a safra, clima e preço de commodity, com comportamento que não acompanha necessariamente o da bolsa ou o dos juros domésticos. Dentro de uma carteira, isso funciona como amortecedor, papel semelhante ao que os ETFs cumprem em outras classes.

A terceira é o fluxo de renda. Nos formatos que distribuem resultado periodicamente, o Fiagro entrega caixa recorrente, e a isenção de Imposto de Renda, quando o fundo cumpre a regra dos 100 cotistas, aumenta o rendimento líquido frente a produtos tributados.

Por fim, existe a liquidez relativa. Comparado a comprar uma fazenda, vender cotas em bolsa é incomparavelmente mais simples, ainda que essa liquidez esteja longe da que se encontra em ações de grandes empresas.

Quais são os riscos do Fiagro?

Nenhuma dessas vantagens vem de graça, e o setor carrega riscos que não aparecem nos demais tipos de investimentos disponíveis em bolsa. Avaliar cada um separadamente evita a armadilha de comprar rendimento alto sem entender o que o sustenta.

Risco de crédito

Nos Fiagros que investem em recebíveis, o retorno depende de o produtor rural pagar o que deve. Safra frustrada, queda de preço de commodity ou aperto de crédito elevam a inadimplência, e o efeito chega ao cotista na forma de rendimento menor ou de perda patrimonial.

O agronegócio brasileiro passou por episódios recentes de recuperação judicial de produtores e de revendas de insumos, e esses eventos chegaram a carteiras de fundos listados. Fundos com posição concentrada em poucos devedores carregam o risco de forma amplificada, porque uma única inadimplência move o resultado do mês inteiro.

Risco climático e de safra

Clima é a variável que o gestor não controla. Seca, geada, excesso de chuva na colheita e pragas afetam a capacidade de pagamento de toda uma região ao mesmo tempo, e essa correlação é justamente o que torna o risco difícil de diversificar dentro do próprio setor.

Da mesma forma, a concentração geográfica importa. Um fundo com carteira espalhada por regiões e culturas diferentes tende a suportar melhor um evento climático localizado do que outro ancorado em uma única praça produtora.

Risco de liquidez

O volume negociado dos Fiagros é baixo se comparado ao de ações e ao de fundos imobiliários tradicionais. Em momentos de estresse, vender uma posição relevante pode exigir aceitar desconto significativo sobre o valor patrimonial.

Esse ponto costuma ser subestimado por quem compara apenas o rendimento distribuído. Um fundo que paga bem, mas negocia poucos milhares de reais por dia, é um ativo de saída difícil, e isso precisa entrar na conta antes da compra, não depois.

Fiagro ou fundo imobiliário: qual é a diferença?

A confusão é compreensível, porque o Fiagro-FII foi construído sobre a mesma estrutura jurídica dos fundos imobiliários e replica a mecânica de negociação, distribuição de resultados e isenção que o investidor já conhece desses produtos.

A diferença está no lastro. O fundo imobiliário tradicional se apoia em imóveis urbanos, com receita vinda de aluguel de escritórios, galpões, shoppings ou de recebíveis imobiliários. O Fiagro se apoia no campo, com receita ligada a arrendamento rural, crédito de safra e participação em agroindústrias.

Isso muda o perfil de risco de maneira relevante. O fundo imobiliário é movido por vacância e pelo ciclo imobiliário urbano; o Fiagro, por clima, preço de commodity e crédito rural. Por outro lado, a proximidade estrutural permite que os dois convivam na mesma carteira sem sobreposição de exposição.

Em compensação, o mercado de Fiagro é bem menor e mais jovem, com histórico curto de comportamento em crise. Quem já entende a dinâmica de renda fixa e renda variável encontra no Fiagro um híbrido que transita entre as duas lógicas.

Como analisar um Fiagro antes de investir?

A análise começa pelo tipo. Identificar se o fundo é FII, FIDC ou FIP define quase tudo o que vem depois, porque cada estrutura tem fonte de retorno e liquidez próprias.

Em seguida vem a carteira. Vale abrir o relatório gerencial mensal e verificar em que o dinheiro está aplicado, qual a concentração por devedor, por cultura e por região, e qual o percentual de inadimplência no período. Fundos que não abrem esses números com clareza já entregam uma informação por si só.

O terceiro ponto são as taxas. A administração e a cobrança sobre o resultado excedente saem do seu rendimento, e, em um produto que compete por alguns pontos percentuais ao ano, meio ponto de diferença não é detalhe. Comparar taxas entre fundos do mesmo tipo é uma das poucas variáveis que você controla antes de comprar.

O quarto é o número de cotistas, pela consequência tributária direta. E o quinto é a relação entre preço de mercado e valor patrimonial, que indica se você está pagando ágio ou comprando com desconto.

Para dimensionar o efeito do fluxo de rendimentos no seu objetivo, uma calculadora de renda passiva ajuda a traduzir percentuais em reais por mês.

Quando o Fiagro não faz sentido para você?

Assumir os limites do produto é mais útil do que listar apenas vantagens, e existem situações em que a resposta honesta é não. Quatro delas aparecem com frequência em carteiras reais, e reconhecer-se em qualquer uma já resolve a dúvida sem precisar comparar fundos.

O Fiagro não serve como reserva de emergência. A cota oscila, a liquidez é limitada e a venda em momento ruim materializa prejuízo, o que contraria a função de um recurso que precisa estar disponível a qualquer momento.

Também não faz sentido para quem tem horizonte curto. Ciclos agrícolas se medem em safras, e a exposição só se paga em prazos que comportem pelo menos alguns desses ciclos completos, com tolerância para atravessar um ano ruim sem vender.

Da mesma forma, quem ainda não montou a base da carteira deveria resolver a base antes. Diante de uma Selic em 14,00% ao ano, definida pelo Copom em agosto de 2026, um investidor sem reserva constituída tem alternativas conservadoras que resolvem melhor o problema imediato dele.

Por último, o produto é inadequado para quem não pretende acompanhar. Fiagro exige leitura periódica de relatório gerencial, e quem não vai fazer isso terá dificuldade de perceber a deterioração de uma carteira antes que ela apareça no preço.

Quanto do patrimônio faz sentido alocar em Fiagro?

Não existe percentual universal, e desconfie de quem oferecer um. A resposta depende do tamanho do patrimônio, do horizonte, da necessidade de renda e da tolerância à oscilação, variáveis que mudam de pessoa para pessoa.

O que existe é um enquadramento razoável. O Fiagro ocupa a fatia de ativos alternativos ou de diversificação setorial de uma carteira de investimentos, não o núcleo dela. É uma posição satélite, dimensionada para agregar sem comprometer o resultado geral se der errado.

Da mesma forma, a escolha entre os três tipos deveria seguir o objetivo, não a rentabilidade anunciada. Quem busca fluxo mensal olha primeiro para Fiagro-FII; quem aceita prazo longo e ausência de renda corrente pode avaliar Fiagro-FIP; quem procura comportamento de crédito considera o FIDC, quando tiver acesso.

Como o Fiagro entra no seu planejamento?

A pergunta certa não é se o Fiagro é bom, e sim qual problema ele resolve dentro da sua estratégia. Investidor que precisa de renda complementar tem uma equação; empresário com patrimônio concentrado no próprio negócio tem outra, especialmente se esse negócio já for ligado ao agro.

Nesse segundo caso, aliás, vale um cuidado extra. Quem já tem renda, terra ou empresa no setor agrícola pode estar dobrando uma exposição que julga estar diversificando, e o Fiagro seria justamente o produto errado para essa carteira.

É esse tipo de leitura que uma assessoria de investimentos faz: diagnosticar onde o patrimônio está concentrado, orientar a alocação de acordo com o seu perfil e objetivos, e revisar a posição conforme o ciclo do setor e as regras tributárias mudam. A decisão e a execução permanecem com você, na sua conta na XP.

Na Ável, essa leitura se apoia em três diferenciais que pesam num produto como o Fiagro.

  • O primeiro é a isenção de conflito na recomendação. A orientação parte do seu patrimônio, não do que se quer vender, o que é decisivo justamente quando a resposta certa pode ser não investir no fundo.
  • O segundo é a visão do todo. Com mesas especializadas por classe de ativo, a Ável enxerga onde você já está exposto, dentro e fora do agro, antes de sugerir qualquer posição.
  • O terceiro é o acompanhamento contínuo, que revisa a alocação a cada mudança de ciclo do setor e a cada alteração nas regras tributárias, que no Fiagro já mudaram duas vezes desde a criação do produto.

Esse trabalho se apoia na estrutura do Grupo Ável, com mais de R$ 16 bilhões sob custódia e o título de melhor assessoria da rede XP em 2024.

É isso que oferecer inteligência para cada etapa da sua vida financeira significa no caso do Fiagro: reconhecer que o produto certo depende do que já existe na sua carteira, e ter quem acompanhe isso enquanto o setor e as regras mudam.

Fale com um especialista da Ável para avaliar se o Fiagro faz sentido na sua carteira e como ele se encaixa nos seus objetivos.

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Perguntas frequentes sobre Fiagro

As dúvidas reunidas abaixo concentram o que mais aparece nas buscas sobre o tema. As respostas consideram a legislação e os dados de mercado disponíveis na data de publicação, que podem mudar conforme novas normas e divulgações estatísticas.

O Fiagro é isento de Imposto de Renda?

Os rendimentos distribuídos são isentos para pessoa física apenas quando o fundo tem no mínimo 100 cotistas, conforme a Lei 14.754/2023, que produz efeitos desde 1.º de janeiro de 2024. A isenção também não alcança quem detém 10% ou mais das cotas ou tem direito a mais de 10% dos rendimentos do fundo.

O ganho na venda das cotas de Fiagro é tributado?

Sim. A isenção cobre somente os rendimentos distribuídos. O ganho obtido na alienação das cotas é tributado à alíquota de 20%, independentemente do número de cotistas ou do valor negociado na operação.

Qual é a diferença entre Fiagro e FII?

A estrutura do Fiagro-FII é a mesma dos fundos imobiliários, mas o lastro é diferente. O FII tradicional se apoia em imóveis urbanos e recebíveis imobiliários, enquanto o Fiagro se apoia em imóveis rurais, crédito do agronegócio e participação em empresas da cadeia agroindustrial.

Quanto preciso para investir em Fiagro?

As cotas são negociadas em bolsa como ações, e o valor de entrada corresponde ao preço de uma cota, que costuma ficar na casa das dezenas ou centenas de reais. O ponto de atenção não é o valor mínimo, e sim o quanto essa posição representa dentro da sua carteira total.

O Fiagro paga rendimentos todo mês?

Depende do tipo e da política de distribuição de cada fundo. Fiagros-FII e os que operam com crédito costumam distribuir resultado periodicamente, enquanto o Fiagro-FIP trabalha com valorização de participações e não tem compromisso com fluxo corrente.

O Fiagro tem garantia do FGC?

Não. O Fiagro é um fundo de investimento, e fundos não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos. O risco é da carteira, e o investidor pode receber menos do que aplicou se os ativos do fundo se desvalorizarem ou não forem pagos.

Quais são os principais riscos do Fiagro?

Os três principais são risco de crédito, quando o produtor não paga a dívida; risco climático e de safra, que atinge regiões inteiras ao mesmo tempo; e risco de liquidez, porque o volume negociado é baixo e vender posições grandes pode exigir desconto.

O Fiagro serve para reserva de emergência?

Não. A cota oscila em bolsa, a liquidez é limitada e uma venda forçada em momento desfavorável transforma oscilação em prejuízo. Reserva de emergência pede aplicações de baixa oscilação e resgate rápido, função que o Fiagro não cumpre.

Este conteúdo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Toda decisão depende do seu perfil, dos seus objetivos e do seu momento de vida, e deve ser avaliada com um profissional credenciado por meio de análise de suitability. Rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resultados futuros. As informações tributárias apresentadas não substituem orientação contábil ou jurídica individualizada.

Referências

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