CDB ou CDI: por que não são concorrentes e como o CDI define quanto o seu CDB rende

CDB é o título que o banco emite para captar dinheiro do investidor; CDI é a taxa de juros entre bancos usada como régua para medir quanto esse título rende
A dúvida entre CDB ou CDI aparece no primeiro contato com a renda fixa, porque as duas siglas estão em quase toda oferta de banco e corretora. A confusão tem motivo: elas são usadas juntas, como em "CDB que rende 100% do CDI", mas não são alternativas entre si.
O tema alcança uma parcela grande dos brasileiros. Segundo a B3, 107,1 milhões de pessoas tinham aplicações de renda fixa no segundo trimestre de 2026, e o número de investidores em CDBs e RDBs cresceu 7% em um ano, com alta de 23% no patrimônio aplicado.
O momento também pede atenção à régua. O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano em 16 de setembro de 2026, e a série do CDI no Banco Central acompanhou o corte, passando para 13,65% ao ano.
Este guia explica o que é cada sigla, como o CDI entra no cálculo do CDB, quanto rendem CDBs com diferentes percentuais do CDI, como o imposto muda a conta e o que avaliar antes de escolher um título, incluindo os casos em que ele não é a melhor opção.
Qual a diferença entre CDB e CDI?
A diferença entre CDB e CDI é de natureza: o CDB é um investimento, um título de renda fixa emitido por bancos, e o CDI é uma taxa de referência calculada a partir dos empréstimos de um dia entre instituições financeiras. Você aplica no CDB; o CDI é a régua que define quanto ele rende.
| Critério | CDB | CDI (Taxa DI) |
|---|---|---|
| O que é. | Título de renda fixa emitido por banco. | Taxa média dos empréstimos de um dia entre bancos. |
| Quem define. | O banco emissor, na oferta do título. | O mercado interbancário, com apuração diária pela B3. |
| Dá para investir diretamente? | Sim. | Não, é um indicador. |
| Papel na rentabilidade. | Paga juros ao investidor. | Serve de referência para os juros pós-fixados. |
| Garantia do FGC. | Sim, dentro dos limites. | Não se aplica. |
| Imposto de Renda. | Tabela regressiva, de 22,5% a 15%. | Não se aplica. |
A consequência prática é que a pergunta "CDB ou CDI?" não tem resposta como escolha entre produtos. A pergunta útil é outra: quanto do CDI um determinado CDB paga, e se esse percentual compensa o risco do banco emissor e o prazo em que o dinheiro fica aplicado.
O que é CDB?
CDB, sigla de Certificado de Depósito Bancário, é uma promessa de pagamento futuro emitida por um banco para captar recursos, segundo o Portal do Investidor da CVM. Ao aplicar, você empresta dinheiro ao banco e recebe de volta o valor corrigido pela remuneração combinada.
A remuneração pode seguir três formatos. No prefixado, a taxa é fixada na compra, como 14% ao ano. No pós-fixado, o rendimento é um percentual do CDI, como 100% ou 110% do CDI. No híbrido, a remuneração combina a inflação medida pelo IPCA com uma taxa fixa.
O Portal do Investidor registra ainda que o CDB é negociável antes do vencimento, diferentemente do RDB, e que o banco pode aplicar deságio no resgate antecipado. Os tipos de investimentos de renda fixa bancária variam justamente nesses detalhes de prazo e liquidez.
O que é CDI?
CDI, sigla de Certificado de Depósito Interbancário, é o título que os bancos usam para emprestar dinheiro entre si por um dia. A taxa média desses empréstimos, chamada Taxa DI, é o número que o mercado chama de CDI e que serve de referência para investimentos pós-fixados.
Pelo glossário da B3, a Taxa DI é a média ponderada das taxas negociadas nas operações interfinanceiras de um dia registradas na bolsa, expressa em percentual ao ano, com base em 252 dias úteis, e atualizada diariamente. O investidor pessoa física não compra o CDI; ele usa a taxa para medir o rendimento de outros produtos.
Qual a diferença entre CDI e Selic?
A Selic é a taxa básica de juros definida pelo Copom a cada 45 dias; o CDI é a taxa que os bancos praticam entre si e que, na prática, acompanha a Selic de perto. Em setembro de 2026, a meta da Selic ficou em 13,75% ao ano, e o CDI, em 13,65%.
A B3 explica que a Selic é usada em operações com títulos públicos federais, enquanto a Taxa DI nasce das operações com títulos privados entre bancos. Por isso, cada decisão do Copom, como a nova taxa Selic, muda no dia seguinte quanto rende um CDB pós-fixado.
O que significa um CDB que rende 100% do CDI?
Um CDB que rende 100% do CDI paga, a cada dia útil, exatamente a Taxa DI daquele dia sobre o valor aplicado. Se o CDB paga 110% do CDI, rende 10% a mais do que a taxa; se paga 90%, rende 10% a menos.
A taxa anual do CDI é convertida em taxa de um dia útil, multiplicada pelo percentual contratado e acumulada ao longo do período. Por causa desse acúmulo, um CDB de 110% do CDI rende um pouco mais do que 1,1 vez a taxa anual: com o CDI a 13,65%, o equivalente anual fica em 15,11%, e não em 15,02%.
O percentual é fixo, mas o CDI muda. Um CDB contratado a 100% do CDI rende mais quando a Selic sobe e menos quando ela cai, como no ciclo de cortes de 2026. Quem quer travar a taxa do momento precisa de um CDB prefixado ou atrelado à inflação, que carrega outros riscos antes do vencimento.
O que rende mais, CDB ou CDI?
Um CDB rende mais do que o CDI quando paga acima de 100% do CDI, rende igual quando paga 100% e rende menos quando paga abaixo disso. Como o CDI não é um investimento, a comparação real é entre percentuais do CDI oferecidos por CDBs diferentes, e sempre depois do imposto.
O exemplo abaixo é hipotético: R$ 10 mil aplicados por dois anos, com o CDI constante em 13,65% ao ano durante todo o período e Imposto de Renda de 15%, a alíquota para prazos acima de 720 dias.
| Percentual do CDI | Equivalente ao ano | Rendimento bruto em 2 anos | Rendimento líquido em 2 anos |
|---|---|---|---|
| 90% do CDI | 12,21% | R$ 2.590,05 | R$ 2.201,54 |
| 100% do CDI | 13,65% | R$ 2.916,32 | R$ 2.478,87 |
| 110% do CDI | 15,11% | R$ 3.251,03 | R$ 2.763,38 |
| 120% do CDI | 16,60% | R$ 3.594,40 | R$ 3.055,24 |
A diferença entre 100% e 120% do CDI soma R$ 576 líquidos em dois anos nesse exemplo. É uma diferença relevante, mas ela só vale se o banco honrar o título: percentuais altos costumam vir de emissores menores, que pagam mais porque o mercado enxerga mais risco neles.
Por isso, a comparação com outras aplicações que acompanham a taxa básica também conta. O guia Tesouro Selic ou CDB mostra quando o título público, que não depende de um banco, vence o CDB, e as LCIs e LCAs entram na conta por serem isentas de IR para pessoa física.
Como o imposto muda a conta do CDB?
O imposto reduz o rendimento do CDB conforme o prazo: a alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai até 15% acima de 720 dias, com retenção na fonte no resgate ou no vencimento, segundo a Receita Federal.
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR sobre o rendimento |
|---|---|
| Até 180 dias. | 22,5% |
| De 181 a 360 dias. | 20% |
| De 361 a 720 dias. | 17,5% |
| Acima de 720 dias. | 15% |
Resgates antes de 30 dias pagam ainda IOF regressivo, que começa em 96% do rendimento no primeiro dia e zera no trigésimo, conforme a mesma tabela da Receita Federal. No exemplo de R$ 10 mil a 100% do CDI por seis meses, o rendimento bruto de R$ 660,68 vira R$ 512,02 depois dos 22,5% de IR.
Por que CDB e CDI não são concorrentes?
CDB e CDI não são concorrentes porque um é o produto e o outro é a unidade de medida. Dizer que um CDB "rende 105% do CDI" é como dizer que um carro faz 12 quilômetros por litro: o CDI mede, e o CDB entrega.
A ideia de competição nasce de ofertas que colocam as duas siglas lado a lado, como se o investidor escolhesse entre elas. O que existe são vários produtos que usam o CDI como régua: CDBs, LCIs, LCAs, fundos DI e debêntures pós-fixadas, cada um com emissor, garantia, imposto e liquidez diferentes.
Na prática, o CDI funciona como o custo de oportunidade da renda fixa. Uma aplicação que rende menos do que o CDI depois de impostos e custos precisa ter outro motivo para estar na carteira, como liquidez, isenção ou proteção contra a inflação, porque a rentabilidade de referência do mercado está acima dela.
O que avaliar antes de escolher um CDB?
Antes de escolher um CDB, é preciso avaliar cinco pontos: a solidez do banco emissor e o limite do FGC, o percentual do CDI ou a taxa oferecida, a liquidez, o prazo de vencimento e o imposto no prazo em que o dinheiro será usado.
Emissor e FGC. O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Acima disso, o risco do banco fica com você.
Percentual ou taxa. Compare o percentual do CDI entre emissores de risco parecido. Um percentual bem acima da média é informação sobre o risco do banco, e não só uma oportunidade.
Liquidez. CDBs com liquidez diária permitem resgate a qualquer dia; os de liquidez no vencimento prendem o dinheiro até a data final, em troca de taxas maiores.
Prazo. O vencimento precisa casar com a data em que o dinheiro será usado, para evitar resgate antecipado com deságio.
Imposto. O prazo define a alíquota de IR; para objetivos curtos, uma aplicação isenta com percentual menor pode render mais no líquido.
O caso recente de liquidações bancárias mostrou por que o primeiro item pesa mais do que os outros. O texto sobre como funciona o FGC explica o que acontece com o investidor quando o emissor quebra e quanto tempo leva para o dinheiro voltar.
Quando o CDB não faz sentido?
O CDB deixa de fazer sentido em quatro situações: quando o valor aplicado em um único banco passa do limite do FGC, quando o dinheiro pode ser necessário antes do vencimento de um título sem liquidez, quando a taxa oferecida está bem acima do mercado e quando o prazo é tão curto que o imposto consome o ganho.
Valor acima do FGC. Aplicar R$ 600 mil em um único banco deixa R$ 350 mil sem garantia. Dividir entre emissores ou usar títulos públicos reduz essa exposição.
Dinheiro com data incerta. Um CDB com liquidez só no vencimento não serve à reserva de emergência, que precisa estar disponível no dia do imprevisto e sem desconto.
Taxa fora da curva. Um CDB que paga bem acima dos concorrentes costuma refletir a necessidade do banco de captar. O FGC protege até o limite, mas o dinheiro pode ficar indisponível durante o processo de liquidação.
Prazo curto demais. Em aplicações de poucos meses, a alíquota de 22,5% reduz o rendimento, e em menos de 30 dias o IOF pode consumir parte relevante do ganho. Para esses prazos, alternativas como o Tesouro Reserva ou aplicações isentas podem entregar mais no líquido.
Como a Ável ajuda a escolher entre CDBs?
A Ável ajuda a escolher o CDB pela ordem certa dos critérios: primeiro o emissor e o prazo, depois a taxa. Um CDB que paga muito acima do mercado quase sempre carrega um risco de emissor maior, e a mesa de investimentos da Ável faz essa leitura antes de olhar o percentual do CDI, comparando o risco de cada banco, a liquidez do papel e o limite do FGC por instituição.
Para patrimônios maiores, entra um cuidado que costuma passar despercebido: a distribuição entre emissores. Como o FGC cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, concentrar um valor grande em um único banco deixa parte da posição sem garantia. Distribuir entre emissores diferentes é o que mantém toda a carteira dentro da proteção, sem abrir mão de boas taxas.
Essa leitura ganha profundidade por vir de um ecossistema financeiro completo. A Ável reúne planejamento financeiro, assessoria de investimentos em parceria com a XP, wealth management, consórcio e soluções para empresas, o que permite enxergar o CDB não como um produto isolado, mas como uma peça dentro de um patrimônio inteiro, com suas metas, prazos e demais aplicações. É uma visão que uma recomendação avulsa não alcança.
A autoridade para fazer essa leitura se apoia em números e reconhecimento. O Grupo Ável reúne mais de R$ 16 bilhões sob custódia e mais de 40 mil clientes, foi eleito a melhor assessoria da rede XP em 2024 e é a casa que mais posiciona profissionais no Top 100 da XP pelo terceiro ano consecutivo, com 26 especialistas já reconhecidos no Brazil Advisor Awards. O atendimento é organizado por faixas patrimoniais a partir de R$ 100 mil, com uma mesa dedicada à curadoria de renda fixa.
Na assessoria de investimentos, o profissional orienta a escolha entre CDBs e outras aplicações de renda fixa e apresenta alternativas compatíveis com o seu perfil, enquanto a decisão e a execução permanecem com você, na plataforma da XP.
Falar com um especialista é o caminho para comparar os CDBs da sua carteira com o CDI atual e verificar se emissor, prazo e garantia estão bem distribuídos.
Perguntas frequentes sobre CDB e CDI
As perguntas abaixo reúnem as dúvidas mais buscadas sobre o rendimento do CDB e sobre como usar o CDI na comparação entre aplicações.
Dá para investir diretamente no CDI?
Não. O CDI é um título negociado apenas entre bancos, e a Taxa DI é um indicador. A pessoa física acompanha o CDI por meio de aplicações pós-fixadas, como CDBs, LCIs e LCAs e fundos DI, que pagam um percentual dessa taxa.
Quanto rende R$ 10 mil em um CDB de 100% do CDI?
Com o CDI em 13,65% ao ano, R$ 10 mil rendem cerca de R$ 1.365 brutos em um ano, ou R$ 1.126 líquidos com a alíquota de 17,5% para prazos de 361 a 720 dias. O valor muda sempre que o CDI muda.
CDB de 100% do CDI é bom?
É uma referência de mercado para CDBs de bancos grandes com liquidez diária. Para prazos longos ou emissores menores, percentuais acima de 100% são comuns. O que define se é bom é a combinação entre percentual, risco do emissor, liquidez e prazo.
O CDB é seguro?
O CDB conta com a garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF e por instituição, o que o torna uma aplicação de baixo risco dentro desse limite. Acima dele, o risco depende da saúde do banco emissor.
Qual a diferença entre CDB prefixado e pós-fixado?
No prefixado, a taxa é definida na compra e não muda até o vencimento. No pós-fixado, o rendimento acompanha um percentual do CDI e sobe ou cai com os juros. O prefixado protege contra a queda da Selic, mas pode ter deságio se vendido antes do prazo.
O CDI muda todo dia?
Muda, porque é apurado diariamente pela B3 a partir das operações entre bancos. Na prática, ele acompanha a Selic e só se move de forma relevante depois das decisões do Copom, que acontecem a cada 45 dias.
Por que contar com a Ável para escolher CDBs?
Porque a mesa de investimentos da Ável compara CDBs pelo risco do emissor, pelo percentual do CDI, pela liquidez e pelo limite do FGC, e a assessoria organiza a renda fixa conforme os prazos dos seus objetivos. A casa reúne cerca de R$ 16 bilhões sob custódia.
Este conteúdo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Os exemplos numéricos são hipotéticos, consideram o CDI constante e servem apenas para ilustrar o cálculo. As taxas citadas refletem os dados de setembro de 2026 e mudam a cada decisão do Copom. A garantia do FGC está sujeita a limites e regras próprias. A adequação de qualquer produto depende do seu perfil, dos seus objetivos e do seu horizonte, e deve ser avaliada em processo de suitability com profissional credenciado. Rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resultados futuros.







