Taxa das blusinhas: o que muda com o fim da cobrança federal sobre compras internacionais?

Fim da “taxa das blusinhas”? O governo federal anunciou a revogação da cobrança de 20% do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida ficou conhecida popularmente por atingir principalmente pedidos feitos em plataformas estrangeiras de e-commerce.

A resposta exige cuidado. A mudança reduz uma parte da tributação, mas não elimina todos os custos envolvidos em uma compra internacional. Entre imposto estadual, câmbio, frete e regras de importação, o valor final ainda pode variar bastante.

Neste artigo, você vai entender o que mudou com o fim da taxa das blusinhas, o que ainda pode ser cobrado e como tomar decisões de compra mais conscientes, sem comprometer o planejamento financeiro.

O que é a taxa das blusinhas?

A taxa das blusinhas é o nome popular dado à cobrança do Imposto de Importação sobre compras internacionais de baixo valor, especialmente em plataformas como Shein, Shopee, AliExpress e outros sites estrangeiros.

Apesar do apelido, a regra não se aplicava apenas a roupas. Ela podia atingir diferentes produtos importados pela internet, como acessórios, cosméticos, itens de casa, utensílios e eletrônicos simples.

Antes da mudança anunciada pelo governo, compras de até US$ 50 em sites certificados pelo Programa Remessa Conforme pagavam 20% de Imposto de Importação. Acima desse valor, a regra federal previa alíquota de 60%, com desconto de US$ 20 no imposto em plataformas certificadas.

O Remessa Conforme foi criado para dar mais controle às encomendas internacionais e permitir que os tributos fossem informados ao consumidor já no momento da compra.

O que realmente muda com o fim da taxa das blusinhas?

O anúncio do fim da taxa das blusinhas trouxe a percepção imediata de que as compras internacionais de baixo valor ficariam automaticamente mais baratas. A mudança, no entanto, precisa ser lida com atenção: o que foi retirado da conta é a cobrança federal de 20% do Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50.

Na prática, isso reduz uma camada importante da tributação, mas o preço final ainda depende de outros fatores da importação. O consumidor deixa de pagar o imposto federal nessa faixa de valor, mas continua sujeito à cobrança do ICMS, tributo estadual que varia conforme a unidade da federação.

Por isso, a economia percebida no preço final dependerá de fatores como o valor do produto, o estado de destino da encomenda, a alíquota de ICMS aplicável, o frete, o seguro e a variação cambial. Em outras palavras, a compra pode ficar mais vantajosa, mas ainda precisa ser avaliada caso a caso.

Como funcionava a cobrança antes da mudança?

Antes da revogação, a lógica geral era a seguinte:

  • compras internacionais de até US$ 50 em sites certificados no Remessa Conforme pagavam 20% de Imposto de Importação federal;
  • compras acima de US$ 50 pagavam 60% de Imposto de Importação, com desconto de US$ 20 no imposto, quando realizadas em plataformas certificadas;
  • compras fora de sites certificados podiam ser tributadas pela regra geral de 60%;
  • em todos os casos, havia incidência de ICMS estadual.

Um ponto que muitas vezes passava despercebido era a base de cálculo. A Receita Federal considera o chamado valor aduaneiro, que inclui o preço do produto, o frete e o seguro, quando esses custos não estão embutidos no valor informado. Por isso, o preço exibido na vitrine da plataforma nem sempre refletia o custo final da compra.

O que continua sendo cobrado após o fim da taxa das blusinhas?

O consumidor ainda deve observar o ICMS sobre importações, cuja alíquota varia conforme a unidade da federação. De acordo com a tabela do Comsefaz, as alíquotas atuais para importações pelo Regime de Tributação Simplificada ficam distribuídas entre 17%, 18%, 19% e 20%.

EstadosICMS por estado
AC20%
AL20%
AM17%
AP18%
BA20%
CE20%
DF17%
ES17%
GO17%
MA17%
MG17%
MS17%
MT17%
PA19%
PB20%
PE17%
PI20%
PR17%
RJ17%
RN20%
RO17%
RR20%
RS17%
SC17%
SE20%
SP17%
TO17%

No caso do Pará, a tabela informa que a alíquota de 19% reflete a alíquota interna modal vigente a partir de 1º de janeiro de 2026. Até 31 de dezembro de 2025, o estado aplicava 17%.

Compras internacionais ficarão mais baratas?

A tendência é que algumas compras de até US$ 50 fiquem mais baratas, já que deixam de ter a cobrança federal de 20%. Ainda assim, a economia final depende de ICMS, frete, câmbio e condições da plataforma.

Por isso, a melhor forma de avaliar se a compra compensa é olhar para o valor total no fechamento do pedido, e não apenas para o preço anunciado do produto. Em alguns casos, a economia será relevante. Em outros, a diferença pode ser menor quando comparada a alternativas nacionais, especialmente considerando prazo de entrega, garantia e possibilidade de troca.

Por que a taxa das blusinhas foi criada?

A taxa das blusinhas foi criada em meio ao debate sobre competitividade entre produtos importados e nacionais.

De um lado, consumidores buscavam preços mais baixos em plataformas estrangeiras. De outro, varejo e indústria brasileiros argumentavam que as importações de baixo valor chegavam ao país com carga tributária menor, criando uma concorrência desigual.

A cobrança federal de 20% buscava aproximar as condições de tributação e ampliar a arrecadação sobre encomendas internacionais. O governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com imposto de importação sobre encomendas nos quatro primeiros meses de 2026, alta de 25% frente ao mesmo período de 2025.

Taxa das blusinhas: o que considerar antes de comprar?

Com o fim da cobrança federal de 20% para compras internacionais de até US$ 50, alguns produtos podem ficar mais baratos. Mas a decisão ainda deve considerar o custo total da importação, não apenas o preço exibido na plataforma.

Antes de fechar o pedido, observe:

  • ICMS: o imposto estadual continua sendo cobrado e varia conforme o estado.
  • Frete e câmbio: esses custos podem alterar a economia final.
  • Prazo, troca e garantia: comprar fora pode ser mais barato, mas nem sempre oferece a mesma segurança.
  • Recorrência: pequenas compras frequentes podem pesar no orçamento mensal.

A mudança pode abrir espaço para boas oportunidades, mas também pode estimular compras por impulso. Por isso, vale acompanhar quanto essas despesas representam no mês e se estão alinhadas às suas prioridades financeiras.

Conclusão: a decisão vai além do imposto

O fim da taxa das blusinhas pode reduzir o custo de algumas compras internacionais, mas não muda o ponto principal: boas decisões financeiras dependem de clareza sobre o impacto de cada gasto no orçamento.

Em um cenário em que impostos, câmbio e hábitos de consumo mudam rapidamente, planejamento deixa de ser apenas controle de despesas. Assim, é uma forma de tomar decisões com mais segurança, equilibrando consumo presente, proteção financeira e objetivos de longo prazo.

Na Ável Planejamento, esse processo passa por diagnóstico, definição de metas, organização financeira, investimentos, proteção e acompanhamento contínuo para transformar escolhas do dia a dia em uma estratégia mais clara para o futuro.

Perguntas frequentes sobre a taxa das blusinhas

Como calcular o valor final de uma compra internacional?

Considere produto, frete, seguro, câmbio, ICMS e eventual imposto federal. O mais importante é olhar o valor total no fechamento da compra.

O limite de US$ 50 inclui o frete?

Pode incluir, dependendo da composição da compra. Frete e seguro podem entrar no cálculo da importação quando cobrados separadamente.

O que acontece se a compra passar de US$ 50?

Compras acima de US$ 50 seguem outra regra de tributação e podem ter cobrança federal maior, além do ICMS estadual.

O Remessa Conforme continua valendo?

Sim. O programa continua organizando a declaração das encomendas e a cobrança dos tributos em plataformas certificadas.

Posso ser taxado comprando na Shein, Shopee ou AliExpress?

Sim. A cobrança federal de 20% deixou de valer para compras de até US$ 50, mas o ICMS estadual permanece.

Vale a pena dividir compras para ficar abaixo de US$ 50?

Nem sempre, porque frete, câmbio, prazos e regras de fiscalização podem reduzir a vantagem.

O dólar usado na compra internacional é o do dia da compra?

Depende da forma de pagamento. No cartão, pode haver variação até o fechamento da fatura.

Sites certificados pelo Remessa Conforme ainda têm vantagem?

Sim, pois eles tendem a dar mais previsibilidade sobre tributos e valores no fechamento do pedido.

Fontes: InfoMoney, G1, Receita Federal e Comsefaz.

Desfrute de uma vida com Liberdade Financeira

Fale com um especialista em investimentos para montar uma carteira customizada de acordo com os seus ideias e objetivos financeiros.

Desfrute de uma vida com Liberdade Financeira

Fale com um especialista em investimentos para montar uma carteira customizada de acordo com os seus ideias e objetivos financeiros.

Para tratativas exclusivamente jornalísticas, favor entrar em contato pelo e-mail [email protected]

Queremos ouvir sua experiência. Compartilhe suas sugestões para continuarmos melhorando.

Para se descadastrar das nossas comunicações, basta informar o seu e-mail abaixo.

Abrir sua conta é simples

Preencha os dados abaixo e siga as próximas instruções: