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Uma retrospectiva econômica para um ano bem agitado como foi esse. Em 2025, por exemplo, a economia brasileira e o mercado financeiro global viveram um ano de choque atrás de choque.
Tarifaço de Donald Trump, nova guerra comercial entre grandes potências, tensão fiscal no Brasil, Selic a 15%, shutdown nos Estados Unidos, crises corporativas, ouro em máxima e Ibovespa em topo histórico formaram um cenário desafiador para quem investe.
Neste artigo, reunimos os principais fatos que mexeram com a economia em 2025 e o que eles sinalizam para o investidor que já olha para 2026.
Em 2025, os Estados Unidos voltaram a usar tarifas como ferramenta central de política econômica. O governo Trump anunciou taxas de até 25% sobre México e Canadá e, depois, ampliou o alcance para dezenas de países, chegando a mais de 100 nações afetadas.
O recado para os mercados foi claro: o comércio internacional voltou a andar em terreno instável. Assim, cadeias produtivas globais ficaram sob pressão, o custo de insumos aumentou em diversos setores e a aversão ao risco subiu, especialmente em moedas e ativos de países mais dependentes de exportações.
Para o investidor, o Tarifaço reabriu uma pergunta clássica: quais empresas e setores dependem demais de um cenário de comércio livre e previsível?
Paralelamente, a relação entre Estados Unidos e China viveu mais um capítulo de tensão. Em 2025, o embate ganhou força com novas rodadas de tarifas, medidas de retaliação e anúncios que afetaram diretamente expectativas de crescimento global.
Por isso, empresas ligadas a exportações, tecnologia, semicondutores e cadeias industriais integradas sentiram o impacto desse clima de incerteza. Assim, a volatilidade aumentou e índices acionários globais oscilaram ao sabor das notícias vindas de Washington e Pequim.
No fim de 2025, um acordo parcial trouxe algum alívio, mas não eliminou o risco estrutural: a rivalidade entre as duas maiores economias do mundo continua sendo um dos principais vetores de risco geopolítico para os próximos anos.
O Brasil também entrou no radar da política comercial americana, porque houve uma escalada de tensões que começou com uma tarifa recíproca de 10% e evoluiu para uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, levando a alíquota total a 50% em alguns casos.
A justificativa oficial falava em “relação comercial muito injusta” e “déficits insustentáveis contra os EUA”. Assim, para o mercado, o episódio funcionou como um alerta: o país está mais exposto ao tabuleiro geopolítico e depende da capacidade de negociação e diplomacia para preservar seus interesses.
No campo doméstico, 2025 foi mais um ano em que o tema fiscal dominou o debate econômico. De um lado, houve avanço na agenda de alívio tributário para a base da população.
Foi aprovada a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, com redução gradual entre R$ 5 mil e R$ 7.350 a partir de 2026, beneficiando milhões de contribuintes. E, para compensar parte da renúncia, foi criada uma tributação mínima sobre dividendos acima de R$ 50 mil.
Mas, por outro lado, as tentativas de ampliar a arrecadação por meio de aumento de IOF e medidas provisórias alternativas enfrentaram resistência no Congresso e acabaram derrubadas ou não avançaram.
Assim, o mercado ficou em modo de observação:
A política monetária brasileira também teve um papel central em 2025. Após sete altas consecutivas, a taxa Selic chegou a 15%, o maior nível em quase duas décadas.
Com isso, o Banco Central reforçou o compromisso com a ancoragem das expectativas de inflação, mas ao custo de um crédito mais caro, consumo pressionado e maior seletividade nas decisões de investimento. Assim, a Selic a 15% significa:
Enquanto o Brasil convivia com juros altos, os Estados Unidos iniciaram um ciclo de cortes. O Federal Reserve começou a reduzir os juros em 2025, porque há sinais de desaceleração da economia e a pressões políticas cada vez mais ruidosas.
No mesmo ano, o país enfrentou um shutdown de 43 dias, paralisando parte do governo federal por falta de acordo orçamentário no Congresso. Assim, o recado para os mercados globais foi duplo:
Para o investidor brasileiro, isso se traduz em impacto sobre fluxo para emergentes, comportamento do dólar e preços de ativos de risco.
No ambiente micro, 2025 trouxe uma sequência de casos corporativos e financeiros que lembraram aos investidores a importância da diversificação.
Entre os principais episódios:
Esses eventos reforçaram alguns pontos-chave, como:
Nas commodities, 2025 foi o ano em que o ouro voltou a brilhar como porto seguro. O metal renovou máximas históricas, apoiado por:
Enquanto isso, o petróleo tipo Brent encerrou o ano com queda no acumulado de 12 meses, negociando na casa de US$ 60/62 o barril. Dúvidas sobre demanda global, estoques elevados em alguns momentos e discussões sobre transição energética pesaram sobre o preço.
Na prática, quem usou ouro como parcela defensiva da carteira se beneficiou. Já o investidor mais exposto a petróleo precisou lidar com maior volatilidade e retornos mais modestos.
Apesar do ambiente ruidoso, a bolsa brasileira conseguiu entregar um desempenho forte em 2025. Depois do tombo de 2024, o Ibovespa engatou um rali de recuperação, renovou máximas de fechamento e atingiu o maior patamar nominal da sua história.
Alguns fatores ajudaram esse movimento:
Para o investidor, o ano mostrou que:
Olhar para trás é importante não para adivinhar o futuro, mas para entender como o mercado reage a choques, quais riscos permanecem na mesa e como montar uma carteira mais resiliente.
Alguns aprendizados que 2025 deixa para o investidor:
Em 2026, o desafio é transformar esses fatos em estratégia: ajustar exposição a risco, rebalancear a carteira e manter a disciplina de longo prazo, em vez de reagir a cada manchete.
Fonte: G1 e InfoMoney
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