Foto: Divulgação Freepik
O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial, segundo ofício assinado pelo Banco Central (BC). A decisão também inclui a corretora de câmbio do banco e marcou o desfecho de meses de tensão em torno da instituição.
Por isso, com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passa a ser responsável por ressarcir os credores, dentro dos limites estabelecidos pela cobertura. Enquanto isso, um liquidante assume a gestão para desmontar o banco de forma organizada. Confira neste artigo qual o contexto e os próximos passos.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A. e do Master S.A. Corretora de Câmbio, nomeando a EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante.
O termo também torna indisponíveis os bens da holding controladora e de administradores, incluindo Daniel Bueno Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen, entre outros.
Segundo o BC, a liquidação aconteceu por:
A decisão ocorre pouco tempo depois de o BC vetar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) e colocar a instituição sob forte pressão de liquidez e confiança no mercado.
O Banco Master ganhou projeção no varejo oferecendo CDBs com remunerações bem acima do mercado. Inclusive, em alguns momentos, chegou a prêmios até 40% acima da taxa básica do mercado. Além disso, o banco mantinha exposição relevante a ativos de maior risco e menor liquidez, como precatórios e operações estruturadas complexas, aumentando a vulnerabilidade em cenários de estresse.
Essa estratégia de captação agressiva se apoiava na percepção de segurança por parte do investidor, já que boa parte desses títulos contava com cobertura do FGC até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
Para tentar resolver a situação, foi costurada uma operação de venda do Banco Master ao BRB, banco controlado pelo governo do Distrito Federal. Assim, a transação enfrentou entraves judiciais e, em setembro de 2025, foi formalmente rejeitada pelo Banco Central.
Após o veto, a agência de risco Fitch rebaixou o rating do Master, citando pressão adicional sobre a liquidez e dificuldade de acesso a novas captações. Por isso, aumentou ainda mais o risco percebido pelo mercado.
Na véspera da liquidação, o grupo de investimentos Fictor chegou a anunciar uma proposta de aporte bilionário e compra do banco, mas a decisão do BC de liquidar o Master colocou fim definitivo às negociações.
Segundo reportagens, o Banco Master teria cerca de R$ 63 bilhões em ativos, boa parte concentrada em créditos de difícil conversão rápida em dinheiro. Desse total, aproximadamente R$ 51 bilhões se referem a CDBs emitidos com taxas muito acima da média. Enquanto isso, estimativas de mercado apontavam apenas R$ 2 bilhões de liquidez imediata, frente a cerca de R$ 4,8 bilhões em CDBs vencendo ainda no segundo semestre.
Esse descompasso entre o que o banco devia no curto prazo e o que conseguia transformar em caixa ajuda a entender por que o risco de liquidez explodiu e por que a liquidação extrajudicial acabou se impondo como caminho provável.
No mesmo dia da liquidação, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, dono e controlador do Banco Master, em São Paulo, no âmbito da operação Compliance Zero. A operação apura, entre outros pontos, suspeitas de emissão e negociação de títulos de crédito falsos por instituições do sistema financeiro. Ainda assim, é importante destacar que, até o momento, tratam-se de investigações e acusações sob apuração, sem trânsito em julgado.
A liquidação extrajudicial é uma medida que interrompe o funcionamento do banco e promove sua retirada, de forma organizada, do Sistema Financeiro Nacional (SFN) quando há insolvência irrecuperável ou infrações graves às normas. Quando a liquidação é decretada:
Para quem tinha conta ou investimentos no Banco Master, a liquidação extrajudicial significa, na prática:
Exemplo ilustrativo: um investidor com R$ 200 mil aplicados em CDBs elegíveis do Banco Master e R$ 70 mil de juros acumulados até a data da liquidação pode, em tese, receber até R$ 250 mil via FGC. Ou seja, valores que excedam esse limite entram na fila da liquidação, sem garantia de recuperação total.
Por isso, é fundamental mapear cada aplicação, entender se o produto tem cobertura pelo FGC e qual o valor enquadrado no limite de garantia.
De acordo com estimativas, o Banco Master emitiu cerca de R$ 51 bilhões em CDBs. Trata-se de um valor que, sozinho, representaria aproximadamente 42% de todas as reservas do FGC, hoje na casa de R$ 121 bilhões.
Ou seja, quase metade do “fundo de proteção” do sistema poderia ser direcionada só para investidores do Master. Se esse cenário se confirmar, o caso Master tende a ser o maior socorro da história do FGC, porque supera com folga episódios marcantes como Bamerindus e PanAmericano.
Para mais dúvidas, fale com o seu advisor do Grupo Ável.
Significa que o Banco Central interrompeu o funcionamento normal do Banco Master e determinou sua retirada organizada do Sistema Financeiro Nacional. Um liquidante assume a gestão para levantar ativos e dívidas, vender o que for possível e pagar credores conforme a lei.
Depende do tipo de produto e do valor investido. Depósitos e aplicações elegíveis (como conta, poupança, CDB, RDB, LCI/LCA, entre outros) têm cobertura do FGC até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, respeitado o teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos. Por isso, o que exceder esses limites ou estiver em produtos não cobertos estará sujeito ao processo de liquidação, sem garantia de recuperação total.
Não há um prazo único e garantido, mas a dinâmica típica é: até cerca de 30 dias úteis para o banco em liquidação enviar a relação de credores ao FGC, seguido da liberação da solicitação no app do FGC e do pagamento após cadastro e validação.
A referência de cobertura é o emissor do título, não a corretora. Ou seja, se o CDB é emitido pelo Banco Master e está dentro das regras do FGC, ele segue elegível até o limite de R$ 250 mil por CPF/CNPJ, por instituição, independentemente da corretora.
Até o momento, autoridades e analistas têm enfatizado que o caso é relevante, mas não sistêmico, ou seja, não coloca em risco o conjunto do sistema bancário brasileiro, que segue capitalizado e sujeito a regulação rigorosa.
Fonte: InfoMoney
Em 2025, diversos fundos de ações brasileiros entregaram retornos impressionantes, com alguns ultrapassando 80% de…
Uma retrospectiva econômica para um ano bem agitado como foi esse. Em 2025, por exemplo,…
CSLL: Você viu que aumentou? A aprovação de uma alta escalonada da CSLL (Contribuição Social…
SAF, associação: você que acompanha futebol conhece essa discussão sobre qual o modelo que mais…
A Selic está em 15% ao ano porque o Banco Central entende que, mesmo com…
Queda do Bitcoin e o mês de novembro de 2025 entrou para a história recente…